Ana Paula Vitorino: Precisamos de decisões mais estáveis e mais consensuais na sociedade política portuguesa

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Ana Paula Vitorino: Precisamos de decisões mais estáveis e mais consensuais na sociedade política portuguesa

Ana Paula Vitorino, Deputada da Assembleia da República de Portugal e Ex-Secretária de Estado dos Transportes, acredita que "poderemos passar a ser o país central da Europa relativamente ao Atlântico", mas que a política portuguesa necessita de trabalhar "a seriedade com que se abordam os assuntos e haver estabilidade das opiniões".

Ana Paula Vitorino cedeu esta entrevista no âmbito da 3ª Conferência do Ciclo de Conferências 2014 - Sociedade e Transportes, promovida pela SEDES.


Portal da Liderança (PL):  Quais os desafios que se colocam ao setor dos transportes em Portugal?

Alguns destaques:
  • O sistema de transportes deverá estar de acordo com a visão que temos para o país.
  • Temos de valorizar os nossos recursos.
  • Precisamos de tornar as nossas cidades competitivas.
  • Os transportes têm de ir mais além do que os que temos hoje.
  • O Interior de Portugal tem uma centralidade ibérica ímpar.
  • Os transportes podem ligar o Interior de Portugal aos principais centros de produção e de consumo.
  • O mar dá a Portugal uma centralidade euro-atlântica.
  • Do mar poderemos usar o oceano, a ligação à lusofonia, aos mercados por via marítima e à Europa.
  • Poderemos passar a ser o país central da Europa relativamente ao Atlântico. 

PL: Como vê a fusão entre a REFER e as Estradas de Portugal? 

Alguns destaques:
  • Os processos não podem ser a prioridade, mas sim a razão de ser deles mesmos.
  • Duvido que o caminho para tornar mais eficiente este setor do Estado seja esta fusão.
  • Juntar o rodoviário ao ferroviário é como juntar os cirurgiões cardíacos aos obstetras.
  • Vejo com muita dificuldade a junção entre a parte operacional da REFER e a da Estradas de Portugal.
  • A Estradas de Portugal é hoje quase um regulador e um gestor de conceções.
  • A REFER tem uma responsabilidade ligada à operação. 

PL: Como pode o setor dos transportes contribuir para o desenvolvimento do território?

Alguns destaques:
  • Este setor é a viabilização de um conceito de sociedade e de economia.
  • Ter um setor dos transportes a funcionar eficientemente significa aumentar a nossa competitividade. 

PL: Quais os desafios que se colocam à sociedade política portuguesa para melhor servirem o país?

Alguns destaques:
  • Um dos desafios da política portuguesa é a seriedade com que se abordam os assuntos e a estabilidade das opiniões.
  • Não podemos defender uma coisa quando estamos na oposição e outra quando estamos no poder.
  • O que for hoje feito nas nossas infraestruturas será o que os nossos bisnetos estarão também a utilizar.
  • Tem de haver fundamentação, uma parte técnica bem separada do poder político, mas sem este se alienar da sua responsabilidade na decisão.
  • Quem tem a responsabilidade e responde pela decisão perante o povo português são os políticos.
  • Os políticos têm que, de forma séria, frontal e transparente, fazerem o que for melhor para o país e manterem as suas opiniões.
  • Precisamos de decisões mais estáveis e mais consensuais no país.



Ana-Paula-Vitorino-PSAna Paula Vitorino é licenciada em Engenharia Civil com mestrado em Transportes. Deputada da Assembleia da República portuguesa, é professora assistente no Instituto Superior Técnico, sócia gerente da TransNetWork e diretora da revista Cluster do Mar. Foi Chefe de Gabinete do Secretário de Estado dos Transportes 1996/1999; Vogal do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça 2000/2001; Presidente do Instituto de Gestão Financeira e Patrimonial da Justiça 2001/2002; Secretária de Estado dos Transportes do XVII Governo Constitucional 2005/2009; Secretária Nacional do Partido Socialista 2004/2011; e Administradora da Hidroeléctrica de Cahora Bassa 2010/2012. Pertence à Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas; Comissão de Economia e Obras Públicas; Comissão de Agricultura e Mar; e Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo.